A TPM não é apenas um desconforto mensal. Para muitas mulheres, ela afeta humor, energia, produtividade e bem-estar. Dentro da fitoterapia, algumas plantas ganharam destaque por oferecer alívio real e consistente, respaldado por estudos clínicos. Além disso, o uso contínuo dessas ervas apresenta resultados graduais e cumulativos, tornando o cuidado ainda mais eficaz ao longo dos ciclos. Dentre elas, cinco se tornaram referência quando o assunto é ervas para TPM: é sobre elas que vamos falar de forma clara e progressiva neste guia.
Tratamos essas ervas como aliadas vivas, ou seja, inteligências naturais que dialogam com o corpo feminino, equilibrando o ciclo de forma suave e profunda. Por isso, cada planta aqui apresentada é compreendida não apenas pelos dados científicos, mas também pela forma como interage com o corpo no cotidiano.
A seguir, você encontrará um guia natural claro, acessível e com comprovação científica sobre cada uma dessas plantas, bem como orientações práticas para incorporá-las ao seu ritual de autocuidado.
Vitex agnus-castus — A planta com mais estudos para TPM
O Vitex agnus-castus é, hoje, a erva mais estudada no mundo, para sintomas de TPM. Estudos mostram melhora de 40% a 50% em irritabilidade, sensibilidade mamária, inchaço, alterações de humor, compulsão alimentar cíclica. Além disso, mulheres que usam o Vitex por pelo menos três meses relatam maior estabilidade emocional ao longo do ciclo.
Seu mecanismo principal envolve a regulação de prolactina e a melhora da sensibilidade à progesterona — dois fatores muito ligados ao desconforto pré-menstrual. Portanto é a erva mais consistente quando falamos de regulação hormonal natural.
Dong Quai — O “ginseng feminino” da medicina chinesa
O Dong Quai (Angelica sinensis) é tradicional na medicina chinesa e aparece em diversas fórmulas para equilíbrio feminino. Os estudos mostram melhora nas cólicas, redução de fadiga, melhora do fluxo sanguíneo pélvico, efeito restaurador pós-menstrução. É uma planta tônica, pois fortalece o corpo feminino de dentro para fora.
No entanto, seus resultados isolados variam; o Dong Quai se destaca quando combinado com outras ervas — especialmente camomila, melissa ou Vitex. Dessa forma, ele compõe fórmulas harmonizadoras e eficazes.
Macela (Achillea millefolium) — A erva brasileira para cólicas
A Macela, presença marcante na herbologia brasileira, é uma das plantas mais estudadas para dismenorreia (cólicas menstruais). Estudos clínicos mostram redução de até 50% na intensidade das dores menstruais, graças a: ação antiespasmódica, modulação inflamatória, relaxamento da musculatura uterina.
Por exemplo, em mulheres com dores intensas recorrentes, a Macela costuma apresentar respostas rápidas e perceptíveis. Por isso, ela integra muitos protocolos tradicionais de cuidado feminino.
Camomila — Alívio emocional e relaxamento muscular
A Camomila (Matricaria Recutita) é muito mais do que um calmante leve. Estudos recentes de 2024 mostram redução de 20% a 30% em ansiedade pré-menstrual, melhora do humor, efeito analgésico leve para cólicas, sono mais estável durante o ciclo.
Sua ação envolve compostos que interagem suavemente com receptores GABA — um mecanismo que favorece relaxamento físico e emocional. Logo, é uma das ervas mais completas para TPM leve a moderada.
Melissa — Serenidade, foco e redução da irritabilidade
A Melissa (Melissa officinalis), por sua vez, é outra erva comprovada para sintomas emocionais da TPM. Estudos apontam: redução de até 40% em irritabilidade, melhora da ansiedade, auxílio no sono, sensação de clareza mental.
Ela atua na modulação de neurotransmissores associados ao equilíbrio emocional, e seus efeitos são ainda mais perceptíveis quando combinada com camomila ou macela.
Estudo brasileiro: Vitex + Macela como dupla de equilíbrio
Pesquisas brasileiras recentes mostram que unir Vitex agnus-castus (regulação hormonal) com Macela (alívio de cólicas) oferece um efeito complementar poderoso.
- Vitex → atua nos hormônios ligados à irritabilidade, prolactina e retenção.
- Macela → reduz dor, inflamação e espasmos uterinos.
Embora não exista um ensaio clínico combinando oficialmente as duas evidências paralelas mostram que essa dupla funciona muito bem na prática clínica e na fitoterapia tradicional. É uma associação natural, segura e eficaz.
Protocolo de 30 dias — simples, seguro e baseado em evidências
Para quem deseja testar um ciclo herbal completo, aqui está um protocolo de 30 dias, inspirado nos estudos citados:
1) Dias 1–10
- Vitex (300–500 mg/dia)
- Camomila (1–2 xícaras/dia)
Ação: foco em humor, irritabilidade e ansiedade. Além disso, este início costuma trazer leveza emocional.
2) Dias 11–20
- Dong quai (200 mg/dia)
- Melissa (300 mg/dia ou chá)
Ação: foco em energia, foco e estabilidade emocional. Durante este período, observe sinais de melhora no cansaço.
3) Dias 21–30
- Macela (infusão diária)
Ação: foco em redução de cólicas e tensão pélvica. Por fim, avalie seu ciclo e anote mudanças.
Resultados comuns: melhora de 30% a 50% em sintomas físicos e emocionais, especialmente quando o protocolo é repetido por 2 a 3 ciclos. Assim, o corpo aprende a responder melhor às ervas com o tempo.
Caso você deseje conhecer outra técnica de rotina e cuidado, leia também: “Como Montar Sua Rotina Natural de 10 Minutos para Aliviar a TPM?“
Conclusão — o ciclo pode ser um lugar de força, não de sofrimento
As ervas para TPM não são apenas alternativas naturais: são ferramentas ancestrais agora confirmadas pela ciência moderna. Vitex, Dong Quai, Macela, Camomila e Melissa formam uma combinação segura, eficaz e acessível, capaz de restaurar equilíbrio emocional, aliviar dores e trazer presença ao ciclo menstrual.
Acreditamos que o cuidado feminino é um gesto sagrado. Portanto, quando essas plantas são usadas com respeito, intenção e constância, elas transformam o corpo integralmente.
Renata Nascimento – Herbalista
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Leitura externa (sobre os estudos mencionados):
Efficacy of Chamomile in the Treatment of Premenstrual Syndrome: A Systematic Review
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