Muita gente conhece a camomila apenas como o “chá calmante”, mas seu impacto no corpo feminino vai muito além disso. Ela interage com vias que influenciam humor, dor, sono, inflamação e até a forma como o corpo reage às oscilações hormonais naturais do ciclo menstrual.
Em outras palavras, quando falamos sobre camomila e hormônios femininos, estamos falando de uma planta que dialoga com o organismo feminino de maneira inteligente, especialmente nos dias em que tudo fica mais sensível: fase lútea1, TPM e primeiros dias da menstruação.
Neste guia, você vai entender por que ela funciona tão bem e em quais fases do ciclo seu efeito se torna mais evidente.
Como a camomila impacta o sistema hormonal feminino?
Os hormônios regulam praticamente tudo: energia, humor, sono, digestão, sensibilidade e até o tipo de dor que sentimos. A camomila age justamente nos caminhos que influenciam esses sinais, o que explica sua eficácia ao longo do ciclo.
Primeiro, ela modula a resposta inflamatória. Muitas manifestações típicas da TPM — como cólicas, irritabilidade, inchaço e dor mamária — têm origem inflamatória. Como a camomila reduz mediadores que inflamam tecidos, o corpo reage de forma mais suave.
Além disso, a erva exerce um efeito ansiolítico natural, especialmente importante quando há queda de progesterona no fim do ciclo. O principal ativo da camomila age como um ‘freio suave’ para o sistema nervoso, reduzindo a agitação interna e ajudando o humor a estabilizar, sem deixar o corpo “desligado”.
Por fim, sua ação antiespasmódica interfere diretamente no útero, relaxando a musculatura e reduzindo contrações dolorosas. Por isso, cólicas leves a moderadas respondem tão bem ao uso contínuo da infusão.
Em que momento do ciclo a camomila faz mais diferença?
Embora seus benefícios possam ser sentidos durante todo o mês, existem duas fases em que a camomila costuma agir com mais força.
Durante a TPM, quando o corpo tenta encontrar equilíbrio entre oscilações hormonais e um sistema nervoso mais sensível, a camomila diminui a intensidade da irritação, da ansiedade e daquele pensamento acelerado típico desse período. Muitas mulheres relatam que a mente se torna menos reativa após alguns dias de uso constante.
Nos primeiros dias da menstruação, quando há maior produção de prostaglandinas — substâncias que intensificam as contrações uterinas — a camomila ajuda a suavizar a dor, reduz o desconforto pélvico e tira a sensação de “peso” no baixo ventre.
Mesmo fora dessas fases, ela contribui para um estado geral de equilíbrio que favorece o funcionamento natural do ciclo.
Sono, ciclo e camomila: uma relação essencial
O sono é um dos fatores determinantes para o equilíbrio hormonal feminino. Entretanto, é justamente nos dias que antecedem a menstruação que muitas mulheres sentem piora da qualidade do descanso. A queda de progesterona, somada à agitação emocional, deixa o corpo em alerta, mesmo cansado.
A camomila interrompe esse ciclo de agitação. Ela acalma os circuitos da mente que ficam ‘ligados’ demais, facilitando o adormecer e reduzindo os despertares que desorganizam o emocional. Como consequência, o ciclo se mantém mais regular, já que hormônios só se reequilibram plenamente quando o corpo recupera seu descanso profundo.
Camomila e digestão: um detalhe que também influencia os hormônios
Algo pouco comentado é como o intestino responde às oscilações hormonais. Em algumas fases, ele fica mais sensível, mais lento ou mais reativo. A camomila entra aqui como um apoio importante: relaxa espasmos, alivia gases, reduz inchaço e acalma aquela sensação de “nó no estômago” que muitas mulheres relatam durante a TPM.
Ao melhorar a digestão, ela diminui a tensão abdominal que costuma amplificar o desconforto menstrual.
Como incorporar a camomila no cuidado hormonal diário?
Mais importante que a dose é a constância. Quando usada apenas em momentos de crise, ela traz alívio; quando usada de forma regular, ela cria estabilidade.
Uma infusão à noite é um bom começo, porque sinaliza ao corpo que é hora de desacelerar. Para quem prefere praticidade, extratos vegetais (elixires) de camomila funcionam muito bem em dias de maior tensão emocional. Já as compressas mornas, aplicadas no baixo ventre, intensificam o efeito relaxante durante a menstruação.
Pequenos gestos frequentes são mais poderosos do que grandes intervenções isoladas.
Se você tem receio de que a camomila interfira diretamente nos hormônios, veja também: Camomila Interfere no Estrogênio? Mitos e Verdades.
Conclusão — Uma erva simples, um impacto profundo
A camomila não altera diretamente os hormônios, mas influencia os sistemas que moldam a experiência feminina durante o ciclo: reduz inflamações, acalma o emocional, melhora o sono, diminui dores e traz equilíbrio ao corpo como um todo.
Por ser uma planta suave, acessível e extremamente inteligente, a camomila se tornou uma das melhores aliadas naturais da saúde feminina — principalmente para quem busca equilíbrio sem interferências agressivas.
Renata Nascimento – Herbalista
Nota:
- Fase Lútea – segunda metade do ciclo menstrual, que ocorre após a ovulação e antes da menstruação, durando aproximadamente 14 dias ↩︎
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