Muitas mulheres relatam que, durante a TPM, emoções que pareciam resolvidas reaparecem com força: mágoas antigas, inseguranças esquecidas, irritações desproporcionais. Isso costuma ser interpretado como “fraqueza emocional”, “falta de controle” ou até “exagero hormonal”. No entanto, essa leitura é superficial.

A TPM não cria emoções novas. Ela amplifica o que já existe, mas que normalmente permanece silenciado pela rotina, pela racionalização ou pela adaptação diária. Quando o corpo entra em um período de maior sensibilidade fisiológica, o emocional acompanha esse movimento.

Portanto, em vez de ver a TPM como um problema a ser combatido, é mais coerente compreendê-la como um estado de maior permeabilidade interna.

O que acontece no cérebro no período pré-menstrual

No período pré-menstrual, ocorre uma queda progressiva de estrogênio e progesterona. Esses hormônios não atuam apenas no sistema reprodutivo: eles influenciam diretamente neurotransmissores ligados ao humor, como serotonina e GABA.

Com essa oscilação, o cérebro entra em um estado de menor filtragem emocional. Em outras palavras, ele perde parte da capacidade de “abafar” estímulos internos. Por isso, sensações que normalmente seriam administráveis passam a ser sentidas com mais intensidade.

Além disso, há uma redução natural da tolerância ao estresse. Assim, o que antes era apenas um incômodo vira irritação; o que era um desconforto vira tristeza; o que era uma lembrança distante vira emoção viva.

Não é descontrole. É sensibilidade aumentada.

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Durante a TPM, o corpo entra em um estado de maior sensibilidade emocional, no qual sentimentos antigos tendem a emergir com mais intensidade.

Por que emoções antigas reaparecem?

Emoções não resolvidas não desaparecem. Elas apenas se organizam em camadas mais profundas da psique e do corpo. Durante a TPM, quando o organismo entra em um estado de maior vulnerabilidade, essas camadas se tornam mais acessíveis.

Isso acontece porque o corpo, nesse período, prioriza processos internos: desacelera, retém mais líquidos, pede recolhimento. Quando a mulher não possui rituais, pausas ou espaços de escuta interna, o emocional encontra uma única forma de expressão: transbordando.

Assim, emoções antigas reaparecem não para punir, mas para serem vistas. A TPM funciona como um lembrete fisiológico de que algo está pedindo reorganização.

Ignorar esse chamado costuma gerar conflitos externos. Ouvir, ainda que desconfortável, gera amadurecimento emocional.

O papel das ervas: camomila como reguladora

Dentro de uma abordagem natural, as ervas não atuam para “silenciar” emoções, mas para reduzir o ruído interno, permitindo que o corpo atravesse esse período com mais suavidade. A camomila ocupa um lugar especial nesse contexto. Ela não age como sedativo pesado, nem como estimulante. Sua ação é reguladora.

No sistema nervoso, a camomila favorece a ativação de vias ligadas ao relaxamento e à sensação de segurança. Isso ajuda a reduzir reatividade emocional, tensão muscular e pensamentos circulares, comuns na TPM.

Além disso, ela atua no eixo intestino–cérebro, o que é fundamental. Grande parte da instabilidade emocional pré-menstrual passa pelo intestino, que se torna mais sensível nesse período. Ao acalmar esse eixo, a camomila contribui para uma sensação geral de acolhimento interno.

Ela não “anula” sentimentos. Ela cria espaço para atravessá-los sem violência interna.

Para saber mais sobre a camomila como opção para o alívio da TPM, leia também: “Camomila em Chá, Elixir ou Compressa: Qual o Melhor Opção Para TPM?

Como atravessar esse período sem violência interna?

O maior erro durante a TPM é exigir de si o mesmo rendimento emocional e social de outros períodos do ciclo. Isso gera culpa, irritação e autocrítica desnecessárias.

Atravessar a TPM com mais consciência envolve algumas mudanças simples, mas profundas:

  1. Primeiro, reduzir estímulos. Menos excesso de informação, menos conflitos, menos demandas emocionais externas. O corpo está em fase de recolhimento, e respeitar isso evita sobrecarga.
  2. Segundo, organizar pequenos rituais. Um chá de camomila no fim do dia, um banho mais quente, momentos de silêncio. Ritual não é luxo; é estrutura emocional.
  3. Terceiro, nomear o que surge. Em vez de reagir, observar: “isso é antigo”, “isso já esteve aqui antes”. Nomear diminui o poder do afeto sobre o comportamento.
  4. Por fim, evitar decisões definitivas nesse período. Emoções amplificadas não são mentirosas, mas também não pedem respostas imediatas. Elas pedem escuta.

Conclusão: a TPM revela, não cria

A TPM não transforma uma mulher equilibrada em alguém “difícil”. Ela apenas revela conteúdos que estavam abafados pelo ritmo acelerado do dia a dia.

Quando compreendida com maturidade, ela deixa de ser inimiga e passa a ser termômetro emocional. Mostra onde há excesso, onde há cansaço, onde há emoções não integradas.

Dentro de uma abordagem natural, o objetivo não é eliminar a TPM, mas atravessá-la com mais coerência. Ervas como a camomila, aliadas a ajustes de ritmo e escuta interna, ajudam o corpo a passar por esse período com menos conflito e mais inteligência emocional.

A TPM não cria caos. Ela apenas tira o tampão. E aquilo que aparece pode ser o início de uma reorganização profunda.

Por fim, a culpa não é da TPM, mas de suas emoções antigas desreguladas.

Para uma leitura mais profunda sobre responsabilidade emocional e acúmulo psíquico ao longo da vida, leia também: A TPM Não Cria o Descontrole, Ela Revela o Que Foi Mal Gerenciado.

Renata Nascimento – Herbalista


Leia mais:

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Camomila e Hormônios Femininos: O Que Muda No Ciclo?

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